ULTIMO PEDIDO – João da Cunha Vargas


Se um dia a
morte maleva
me dá um pealo de cucharra
numa saída de farra,
me faça torcer o alcatre,
me ajeitem bem sobre um catre,
me tirem os laço das garra.

A morte é
sorra mui mansa
comedera de sovéu
que vem, desarma o mundeo
a mandado do Senhor,
nos larga num corredor
e dá uma espantada pro céu.

Me enterrem
num campo aberto
que eu sinta o vento pampeiro
em vez de vela, um candeeiro
ao pé da cruz falquejada,
que eu possa enxergar a estrada
por onde passa o tropeiro.

Depois me
deixem solito
sobre o fraldão da coxilha
junto ao pé da coronilha
entre a mangueira e a tapera
na ‘estância da primavera’
coberto pela flexilha.

Que eu ouça
o berro do gado
de uma tropa em pastoreio,
ouça o barulho do freio
e o gaguejar das cordeonas
e retouços de redomonas
no chapadão do rodeio.

Que eu sinta
o cheiro da terra
molhada da chuva em manga,
sinta o cheiro da pitanga
no barracão do pesqueiro
e o canto do joão-barreiro
trazendo barro da sanga.

Vou me
juntar lá no céu
onde só Deus bate asa,
não quero dar ‘ô’ de casa,
que a porta grande se tranque,
que me espere no palanque
churrasco gordo na brasa.

Vou viver na
Estância Grande
deste Patrão Soberano,
levar comigo o Minuano
pro rancho de algum posteiro
e pedir pra ficar lindeiro
com o imortal Aureliano.

Mas se lá
não tiver carreira,
nem marcação campo a fora,
nem índio arrastando espora
num jogo-de-osso em domingo,
eu quebro o cacho do pingo
e juro que venho embora.

 

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